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O primeiro Fórmula Vee poderia ser considerado brasileiro

O primeiro Fórmula Vee poderia ser considerado brasileiro

Roberto Zullino, responsável pela retomada da categoria no país, lembra de carro feito a partir de 
um “Fusca com esteróides” por quatro gigantes do automobilismo nacional.

Por Fernando Santos

 

O Brasil poderia ser considerado o primeiro país a ter construído um Fórmula Vee, com um carro baseado num “Fusca com esteróides”, desenvolvido por quatro nomes renomados do automobilismo nacional.

A opinião é do engenheiro Roberto Zullino, responsável por reativar a FVee no Brasil. “Nos final dos anos 1950, havia um monoposto com mecânica do Porsche 356 que não passava de um Fusca com esteróides. Até a suspensão dianteira era do Fusca, com motor e câmbio muito parecidos”, afirma.

Este carro, lembra Zullino, foi montado por quatro nomes que estão na história do automobilismo nacional: Chico Landi, primeiro brasileiro a competir na Fórmula 1; Christian Heins, o Bino, um dos principais pilotos na época, morto em acidente nas 24 Horas de Le Mans, em 1963; Eugênio Martins, o Geninho, um dos maiores nomes nas provas de Turismo nos anos 1950/1960; e José Gimenez Lopes, dono da renomada Escuderia Tubularte, mesmo nome de sua fábrica de móveis de cozinha, e ex-dirigente do Palmeiras, responsável pela montagem do time da Segunda Academia.

O carro idealizado pelo quarteto foi desenvolvido a partir de um Fórmula Júnior, categoria criada na Itália em 1956 com motor Fiat de 1.000 cc. A F-Jr logo se popularizou como porta de entrada no automobilismo para jovens pilotos na Europa e nos EUA, e deu origem à criação da Fórmula 2. Conheça mais sobre sua história em http://www.australianformulajunior.com/fjhistory.html

Equipes de competição como Lotus e Lola logo aderiram à Fórmula Júnior, o que levou ao crescimento da categoria, e também de seus custos. No Brasil, o carro recebeu a mecânica Porsche em razão do histórico de Christian Heins, que estudou e trabalhou em Stuttgart, sede da fábrica alemã.

Este monoposto competia no Brasil em provas da Mecânica Continental, uma categoria que reunia carros como Ferrari e Masserati com motor de Corvette e tinha várias divisões”, conta Roberto Zullino. “Um detalhe da época é a letra A junto ao número na lateral do carro, que significava motor menor que 2 litros, para diferenciar dos demais.” Conheça a história da Mecânica Continental , a “Fórmula 1 Brasileira”, em http://projetomotor.com.br/mecanica-continental-ascensao-e-queda-da-formula-1-brasileira-2/

 

O F-Júnior brasileiro

Na foto do início deste artigo: o piloto Christian Heins a bordo do Fórmula Júnior nacional no final dos anos 1950: mecânica de um Porsche 356, um "Fusca com esteróides" que poderia ser considerado o primeiro FVee da história, segundo o engenheiro Roberto Zullino (crédito: reprodução de internet).

 

Nas provas em que Chico Landi e José Gimenez Lopes corriam em duplas, eles costumavam adotar o número 82. Gimenez competia com o número 8, e Landi preferia o 2, segundo o histórico do empresário paulistano no Blog Scuderia Brazil em http://scuderiabrazil.blogspot.com/2013/02/escuderia-tubularte.html

Assim como os demais carros da Mecânica Continental, a Fórmula Júnior não resistiu no Brasil devido aos custos. As máquinas eram caras, assim como as peças, e de difícil importação. A manutenção também era dispendiosa e exigia extrema especialização. Para piorar o cenário, os carros ainda eram considerados inseguros. Ao todo, a Mecânica Continental registrou quatro mortes em dois anos e diversos outros acidentes, a maioria por falhas mecânicas.

O fim se deu em 1967, justamente quando começou no Brasil a Fórmula Vee, categoria recém-criada que tinha como principal objetivo a construção de monopostos de baixo custo e fácil manutenção. 

 

A Fórmula Vee no Brasil: “Fusca com esteróides”

A FVee, desde sua criação, utilizava quase tudo do Fusca, com preços muito acessíveis e peças em abundância no mercado. O que levou ao seu sucesso e a se transformar na categoria mais popular do mundo até os dias de hoje, praticada em dezenas de países.

O embrião de um Fórmula Vee inspirado num “Fusca com esteróides”, como definiu o engenheiro Roberto Zullino, acabou superado pelo modelo original nascido nos EUA. O americano Hubert Brundage deu o primeiro passo para a criação de um fórmula de mecânica simples e barata ao encomendar um modelo ao projetista italiano Enrico Nardi nos anos 1958 e 1959, e que se transformaria no FVee de sucesso na década seguinte. CLIQUE AQUI e saiba mais sobre a origem da categoria no texto publicado no site da FVee Brazil.

No Brasil, a Fórmula Vee foi disputada primeiramente de 1967 a 1970. Em seguida, com o apoio direto da Volkswagen, foi criada a Fórmula Super-V (com apêndices aerodinâmicos) e uma divisão abaixo, com motor 1.300 cc. Mas sofreu nova paralisação no início da década de 1980, com o fim dos incentivos da VW e o surgimento de categorias como a Fórmula Ford.

 

2011 - O ano da nova Fórmula Vee no Brasil

 

Na foto à esquerda, Flávio Menezes, atual gestor da categoria, ao lado do engenheiro Roberto Zullino, responsável pela reativação da Fórmula Vee no Brasil (crédito: Fernando Santos). Na sequência, o Fórmula Vee com chassi Naja lançado em 2011 por Roberto Zullino e utilizado até os dias de hoje (crédito: Claudio Larangeira).

 

Em 2011, Roberto Zullino reativou a Fórmula Vee ao lançar o chassi tubular Naja, que segue sendo utilizado atualmente. Nos últimos anos, com o apoio de Wilson Fittipaldi Júnior e do projetista Ricardo Divila, o Naja passou por sua maior renovação.

O chassi é agora denominado Naja FD01-D, com F de Fittipaldi, D de Divila e o segundo D em homenagem ao mecânico Darcy de Medeiros, que faleceu em 2017 e também contribui no desenvolvimento do novo carro.

 

Na foto à esquerda, o novo FVee, desenvolvido por Wilsinho Fittipaldi e Ricardo Divila, na primeira prova do Campeonato Paulista de 2020, em Interlagos (crédito: Fernando Santos). Na sequência, foto de  Ricardo Divilla, Darcy de Medeiros e Wilsinho Fittipaldi no desenvolvimento do chassi Naja FD01-D, com suspensão traseira independente e câmbio de cinco marchas (crédito: Claudio Larangeira). 

 

Este novo chassi passa a contar com suspensão traseira independente e comporta o câmbio de 5 marchas do Gol. O motor Fox 1.6 continua como nos primeiros Najas. A suspensão dianteira segue a mesma que caracteriza um FVee desde o seu início. O carro atual, assim, também pode ser considerado um “Fusca com esteróides”!

 

 

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